Adriane
Santana
Bulhões
Investigadora em Ciências da Terra. Bahia, Irlanda, Nova Zelândia — e a ciência que une estes três lugares.
Foto na natureza — em breve
Cresci entre
raízes e maré.
Cresci numa família de marisqueiros e pescadores na Ilha de Bom Jesus dos Passos, em Salvador. Os manguezais eram o quintal, a despensa, o mundo inteiro de uma criança que aprendeu a ler a maré antes de aprender a ler palavras.
Vi parte desse mundo desaparecer ao longo da vida — consumido por desenvolvimento turístico que nunca perguntou o que se perdia, que vozes se calavam, que ecossistema se apagava.
Essa experiência é o centro da minha identidade científica. A ciência, para mim, é sempre um regresso — ao lugar, às pessoas, à pergunta original.
Vivi depois na Irlanda, onde aprendi o que significa uma comunidade atlântica que resiste à erosão — tanto geológica quanto cultural. E agora em Waiheke Island, Nova Zelândia, onde a geologia vulcânica costeira me oferece um outro laboratório, e uma nova forma de ver o mesmo problema.
Três países. Três formas completamente diferentes de uma comunidade se relacionar com o seu ecossistema. Essa comparação moldou profundamente como vejo o problema — e como quero investigá-lo.
Tenho formação em Ciências e Tecnologia pela UFBA, com disciplinas em Ecologia, Oceanografia e Ciências da Terra. Tenho também pós-graduação em Desenvolvimento Web Full Stack — porque a ciência ambiental moderna precisa de pessoas que saibam trabalhar com dados, visualização e automação.
O objetivo final é sempre que a investigação regresse ao lugar que me formou.