Wai-O-Tapu, abril. A borda da Champagne Pool é de um laranja vivo e vibrante, e salta aos olhos antes de qualquer explicação. No ar, uma fumaça densa de humidade e enxofre na qual a respiração custa a encontrar ritmo, e o calor aperta o peito antes que eu perceba.

A água ferve a 75°C e ainda assim parece mover-se devagar, como algo vivo. Esse laranja não é alga nem pigmento: são sulfuretos de arsénio e antimônio, ouropigmento e realgar, que sobem dissolvidos num fluido hidrotermal clorídrico desde uma zona de ebulição profunda. Precipitam exactamente na borda, onde a água arrefece e os minerais deixam de ser solúveis. A cor é o ponto preciso onde o interior da Terra encontra a temperatura do ar.

Fiquei parada diante daquilo, com a sensação estranha de estar a olhar o planeta cru: as camadas profundas da Terra trazidas à superfície, expostas, sem nada por cima. Demorei a perceber que tinha prendido a respiração o tempo todo.

Champagne Pool, Wai-O-Tapu Depósitos minerais na borda da Champagne Pool